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domingo, 30 de março de 2014

Meteoro sentimental

Chorar junto das nuvens, elas não parecem mais serem de algodão... Na verdade, agora, são cinzas. Elas me traduzem, sabem como o tempo está nublado aqui dentro e choram junto de mim. Será compreensão ou apenas reflexão do que minhas pupilas sentem? Elas se expressam muito melhor que o resto do meu corpo... As pupilas ou as nuvens? Não faz diferença, é tão indiferente que se torna una o que elas tem em comum: elas choram; De tristeza, alegria, raiva ou uma emoção qualquer. Elas passarão e eu, passarinho. As emoções ou as nuvens?... Diante disto tudo, acabo de me assumir sentimental-meteorologista.




quarta-feira, 5 de março de 2014

Quase oculto lado

Eu vejo faces mais escuras do que da Lua. Nesse céu ofuscante, estrelas já não há... Apenas nuvens pesadas de gotas d’água. Não há consolo que me faça acreditar que crateras não se comparam com catástrofes. Ah, mas a noite é tão bela, por que tão masoquista escurecida? Ela quem tanto me fazia rir dessa minha hipérbole e acreditar que há muito, até demais, dos corações para serem explorados e que nunca se esgotaria tal fortuna. O que será de mim fases, dias, séculos, eras com a sua escuridão eterna?

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Nas horas vagas: plástico descartável

Cantando aos sussurros e aos ventos. Confiro onde estou e este lugar cuja minha presença se faz dádiva não é minha casa... Mas onde é minha casa? Cada vez mais acredito em um universo paralelo, e se pelo menos um existir e se meu sonho, se o sonho desta pele, carne e osso for atingir outro plano, é porque a vida humana então é uma merda. Simplesmente, esqueço essa teoria, mas permaneço pensando derivadas de tal. Atingir outro plano, um plano racional ou irracional, onde a resolução seja tão bem focada que beiramos a perfeição. Pois, penso: essa mente, essa residência, essa calmaria e euforia não são à toa. Em vão tento descomplicar as coisas todas do mundo. Enquanto sacos de novos velhos pensamentos têm sido acatados, peso-me e penso. Os cabelos esvoaçantes, o rock no rádio e o plástico que envolve o "milk-shake" tem sido a minha distração momentânea. De curto momento, mas necessária. Sinto-me fútil, de ambas as formas de se pensar, mas necessária. Quantas vezes já não me comparei com descartáveis? Como resolver essa charada chamada silêncio tão pensador quanto o próprio ato de tentar pensar? Distinguir diferentes coisas não é fácil para ninguém, mas quando se conhece o caminho para a fonte... Aí é outra história. Por enquanto, a história continua a mesma. Mas, se erro, é porque sou de humanas. Humanos não se descartam assim tão facilmente.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Moça

Dos pretos, dos pretos e rosas. Do vestido rosa de comprimento no meio da coxa, do gótico preto no olho e no cabelo. Sei fingir neste mundo a tal confusão com tal forma inocente. A vontade de ser punk esconde-se debaixo de um vestido, dentro do peito e da mente turbulenta. Não saber quem é, torna-se nessa idade, normal. Quem já não teve crise existencial?

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Sendo efêmera, porque é a única coisa que não possui dualidade, apenas renovação:

Perdi a conta de quantas vezes eu já morri hoje, nem vale a pena fazer um funeral para cada morte. Perdi a conta de quantos dias da semana já foram fim do mundo. E ainda iremos morrer muitas vezes nos dias, nas semanas e até nos anos. Ta aí, um grande problema de ser uma mortal. Uma mortal um tanto sentimental. Uma mortal um pouco racional. Uma mortal, apenas, mortal.



quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Nem se meu nome fosse Lúcia, nasceria tão lúcida

Tentei fazer listas para organizar a minha vida, mas não gosto de listas. Pensei em comprar uma agenda, até um caderno sem pauta ajudaria, para poder organizar os dias e rodapés alheios. Clamei poemas e cantei canções até perder o fôlego, para aprender as melhores rimas e metáforas que usaria na necessidade. Escrevi onde havia espaço, onde não cabia mais, onde as informações se embaralhavam e tornavam-se uma ideia louca qualquer, mas era pelo menos uma ideia. A insanidade subiu-me a cabeça há tempos, agora tem estado tal como palavras-cruzadas e quebra-cabeças: tudo só toma forma com o próximo encaixe.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Meu querido confessionário

E como se tu fosses meu diário, confesso-me: Sei o quanto eles gostam dos segredos via lábios molhados ou ressecados, sei que gostam das declarações de amor e de paz e o não a guerra, mais internas do que externas.  Dizer; Falar; Nunca me foi nada perto das palavras escritas. Não, não estou dando os motivos ou satisfações para falar menos que a boca, ainda não, mas posso te dar-lhes: gosto do impacto que causa nas pessoas o falar de quem pouco fala, a importância que dão para cada palavra dita, o soar delas e o silêncio dos ouvintes educados e emprestadores de sua atenção. Poderia comentar também o como acredito que essa característica seja algo que não é estranho, mas sim, bem familiar. Entregaria uma folha em branco aos meus pais, aos meus avós e aos meus tios, e não seria surpresa alguma que surgiria dali grandes confissões fantasiadas de metáforas. Provas documentais dizem que minha mãe já escrevia suas palavras tão universais quanto pessoais, as quais não cabiam em seu corpo humano, mas cabiam nas folhas em branco. Tal probabilidade de que herdei pelo menos alguma coisa de uma árvore genealógica inteira, tal probabilidade faz dos testes de DNA uma tecnologia ultrapassada, tal que poderíamos ter sido uma família rica em relações econômicas, apenas em investimento do escrever. Poderia ter nascido no tal “berço de ouro” e ter alguma herança há ganhar, mas essa chance já perdi. Herdei o que não deveria ter herdado, nunca irei perder e nem se quer ou quis ter ganhado: não caber-me em mim e muito menos, na minha voz, o que me resta é essa mania de escrever em qualquer lugar, em qualquer folha de papel ou em qualquer lugar, diríamos que, escrítivel.