Depreza-se o pouco ceticismo. Como ter certeza da dúvida sem
paz alguma? O gosto pela incerteza, porém ainda segue teus trilhos. Trilhos de
uma linha de trem, é preciso cautela. Renovará várias existências se quiser que
siga teu caminho trilhado. Veja bem, tu trilhaste, não outra pessoa. Esta quer
que seus trilhos levem a lugar nenhum, seu percurso, seus erros, seus
machucados, seu egoísmo, suas incertezas, é delas as quais mais precisa. Ancião,
séculos de experiência não ajudam o senhor na compreensão da juventude de um
aprendiz, de um selvagem aprendiz, que corre louco pelas florestas como se toda
trilha nasceu para ser perdida, como se tudo tivesse de ser uma aventura; e é.
Não poderá dizer como agir, não há manual, não há correto, não há errado, há o
que tem de ser feito: o que o coração sente que tem de ser feito. Despreocupasse
portador da sabedoria, os jovens aventureiros céticos duvidam também da maldade
e há pureza nisto.
sábado, 6 de junho de 2015
domingo, 17 de maio de 2015
Não há de quê
Ninguém vê, mas ainda há cicatrizes e feridas sob a pele. Queria
trocar de pele, queria trocar de face, queria. Além do bem e do mal, além do
caos e além dos cais. Na jornada, na busca, perco a bússola. Mundo cão, o que
me fez parar aqui? Serafim, será este o meu fim? Transpira e arqueja,
inspirações já foram demais. Já foram demais? Fraqueja, merece descanso, cai
logo na cama, o despertador irá te despertar para a realidade que nem sequer
acredita. Aquela realidade criada pelos reais ativistas. Sabe que as angústias
que tivera com sua pátria tornaram-se traumas e assim culpa-os. Os esplêndidos
ativistas de nada.
sábado, 28 de fevereiro de 2015
Persona
Despida. Despedida. Nada de nudez, pois nas despedidas
precisamos vestir de formalidades. Mal sejam ditas essas formalidades, uma
desgraça. Ah, a verdadeira despedida tão desengonçada e sem cheia de graça, nem
parecia uma despedida, parecia que foi é pedida. Perdida, não sei o que fazer.
Procuro respostas nos dicionários e até em enciclopédias. Despedaço-me em
sílabas que formam palavras, frases, textos, a gramática... Dramática. Que
pleonasmo...
sábado, 14 de fevereiro de 2015
Não síntese
Você era carne e bem, parecia que não existia nada além
desse corpo, não conseguia sentir nada além dele, ao não ser o vazio e ouvir
nada ao não ser o silêncio. Cabeça oca. Parecia que era mais animal que ser
pensante, assim, não pensava, logo não existia. Que desilusão avassaladora...
Amante do uno e não do dual, que era pensar e existir. Que filosofia carnívora
é esta?
sábado, 31 de janeiro de 2015
Confissões e gotas d’água
Ás vezes me sinto uma criança amedrontada com medo do
barulho da chuva, do rádio, da televisão, do armário, do desconhecido o qual
bate em minha porta, do silêncio... Porque quando me silencio, essa tempestade
aumenta.
Minha criança, pior que monstros dentro do seu armário, é
esse quarto. Um quarto qualquer, mas especial para tal respiração, tal
decoração, tal silêncio, tal pensamento, tal torrente d’água. A chuva que cai
nesse quarto e não molha só por fora, mola é a alma de lembrança, e sou eu quem
se apaixona por esta. Sou eu quem se apaixona pela canção calma e triste. Sou
eu quem se apaixonada por tal recordação da infância, lembrando de que ainda
sou uma criança que tem medo do barulho do trovão. De ficar sozinha na
escuridão.
sábado, 17 de janeiro de 2015
O mais belo ninar
Não sei dizer-lhe o porquê, mas ouvi em meus sonhos aquela
canção que acalmava meus males, aquela que indiretamente indicou-me, e se não
foi a intenção: já foi-se. Pode ter sido tua voz me consolando sobre tudo,
sobre nada, sobre as três existências: passado, presente e futuro. Você sabe
sobre meu descontentamento quando não dou o meu melhor: escrever, escrever e
escrever. Conhecemos os momentos de tormentos, mas muitas vezes são como
tempestade em copo d'água. Nada é em vão, nada é para nada. Nada se compara ao
movimento lento desta terra ou dessa lágrima. Já choramos demais, não
deveríamos chorar mais. Deveríamos usar colírios que dilatassem mais que nossas
pupilas, deveríamos dilatar o pensamento, porque nos momentos de lucidez, como
luzes de vaga-lumes, nos guiam nesse túnel profundo, cruel e escuro. Que
houvesse mais momentos assim, de lucidez, onde surgisse: "Mas está claro,
é tudo um reflexo de minha mente". Ah,
mas a teoria, sempre tão bela... Árdua é em vida.
sábado, 3 de janeiro de 2015
Anacrônica
Penteava os cabelos assim como uma princesa, como forma de passar o tempo. Passa tempo, mas o tempo não passa. Lia um livro inteiro como que quando acabava esta, conhecia todo o conhecimentos existente. Passa tempo, mas o tempo não passa. Ouvia músicas clássicas com pose de quem apreciava, mas esperando o tempo passar. Passa tempo... mas o tempo não passa. Os matemáticos não precisaram formar teoria alguma, simplesmente concluíram que ela não sabe olhar as horas, pois para eles o tempo passara. Mas enquanto isso passava o tempo... mas para ela, o tempo não passa. Será ela rainha da eternidade e ainda não percebeu? Será ela dona do tempo-espaço ou viajante do tempo congelado? Criança já não era mais para brincar com passa-tempos...Talvez seja por isso, quando crescemos o tempo não passa e assim que percebemos, ele já nos ultrapassou... Quantos anos ela tinha mesmo?
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