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sábado, 14 de fevereiro de 2015

Não síntese

Você era carne e bem, parecia que não existia nada além desse corpo, não conseguia sentir nada além dele, ao não ser o vazio e ouvir nada ao não ser o silêncio. Cabeça oca. Parecia que era mais animal que ser pensante, assim, não pensava, logo não existia. Que desilusão avassaladora... Amante do uno e não do dual, que era pensar e existir. Que filosofia carnívora é esta?



sábado, 31 de janeiro de 2015

Confissões e gotas d’água

Ás vezes me sinto uma criança amedrontada com medo do barulho da chuva, do rádio, da televisão, do armário, do desconhecido o qual bate em minha porta, do silêncio... Porque quando me silencio, essa tempestade aumenta.

Minha criança, pior que monstros dentro do seu armário, é esse quarto. Um quarto qualquer, mas especial para tal respiração, tal decoração, tal silêncio, tal pensamento, tal torrente d’água. A chuva que cai nesse quarto e não molha só por fora, mola é a alma de lembrança, e sou eu quem se apaixona por esta. Sou eu quem se apaixona pela canção calma e triste. Sou eu quem se apaixonada por tal recordação da infância, lembrando de que ainda sou uma criança que tem medo do barulho do trovão. De ficar sozinha na escuridão.

sábado, 17 de janeiro de 2015

O mais belo ninar

Não sei dizer-lhe o porquê, mas ouvi em meus sonhos aquela canção que acalmava meus males, aquela que indiretamente indicou-me, e se não foi a intenção: já foi-se. Pode ter sido tua voz me consolando sobre tudo, sobre nada, sobre as três existências: passado, presente e futuro. Você sabe sobre meu descontentamento quando não dou o meu melhor: escrever, escrever e escrever. Conhecemos os momentos de tormentos, mas muitas vezes são como tempestade em copo d'água. Nada é em vão, nada é para nada. Nada se compara ao movimento lento desta terra ou dessa lágrima. Já choramos demais, não deveríamos chorar mais. Deveríamos usar colírios que dilatassem mais que nossas pupilas, deveríamos dilatar o pensamento, porque nos momentos de lucidez, como luzes de vaga-lumes, nos guiam nesse túnel profundo, cruel e escuro. Que houvesse mais momentos assim, de lucidez, onde surgisse: "Mas está claro, é tudo um reflexo de minha mente".  Ah, mas a teoria, sempre tão bela... Árdua é em vida.

sábado, 3 de janeiro de 2015

Anacrônica

Penteava os cabelos assim como uma princesa, como forma de passar o tempo. Passa tempo, mas o tempo não passa. Lia um livro inteiro como que quando acabava esta, conhecia todo o conhecimentos existente. Passa tempo, mas o tempo não passa. Ouvia músicas clássicas com pose de quem apreciava, mas esperando o tempo passar. Passa tempo... mas o tempo não passa. Os matemáticos não precisaram formar teoria alguma, simplesmente concluíram que ela não sabe olhar as horas, pois para eles o tempo passara. Mas enquanto isso passava o tempo... mas para ela, o tempo não passa. Será ela rainha da eternidade e ainda não percebeu? Será ela dona do tempo-espaço ou viajante do tempo congelado? Criança já não era mais para brincar com passa-tempos...Talvez seja por isso, quando crescemos o tempo não passa e assim que percebemos, ele já nos ultrapassou... Quantos anos ela tinha mesmo? 

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Flores,será? Flores,seremos?

Inocência, que dor sinto por racionalidade alguma te consolar. Prometi de frente aos olhos da revolução, cuidar de ti como uma flor bonita, porque bonita já és, mesmo que arranquem suas raízes e queimem teu caule e cada pétala tua como se fosse frágil perto das mãos da podridão.


E se não fosse as flores, não saberia que cidades eram catástrofes. Grande náusea esta de calçadas, faixas de pedestres e automóveis... Até os efêmeros foram aprisionados com cimento cinza. Alguns até precisaram de cicatrizes. Triste saber que disso os românticos nunca sofrerão, apenas disso, nada mais.


quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Já é cedo, já é tarde demais

Tanto, mas tanto potencial e nenhum ato. Péssima bailarina, inerte dançarina. A canção te chama, e tu, danças? Péssima, péssima, horripilante. Uma vergonha. Diz-se exilada, não enxergo opressão alguma... qual é teu problema? Impossível relevar, o cume é um dos mais altos das montanhas. Estabelece relações infinitas com os efêmeros...elas tornam-se findas como ossos. Invente fábulas e poemas sociais para sustentar suas palavras anteriores e superar o que a ciência faz com tua pele. Oxidai as nada cândidas lembranças, oxigene as fotografias e não olhe mais para o espelho,o qual tem refletido esse teu crescimento que veio de lagos cheios d'água, belas mágoas.


domingo, 19 de outubro de 2014

Canário sem cor

Preso passarinho, é o que você está, numa gaiola envolta de carne e sangue fervente, conhecida também como corpo humano. Como foi parar aí, seu louco? Foi sequestrado ou livre-arbítrio? Louco pássaro, parece que cortaram suas asas, parece que você nem sequer piou quando o fizeram. Gritasse, falasse, gemesse...mas não disse. Canta, canta a liberdade que procura e espanta, espanta a melancolia... Por que não canta mais? Prefere viver em cativeiro? Pássaro, você é louco, mas astuto, sabe que a carne não aguenta tanto. A carne é podre, o coração já não sei dizer. Bica ele, quem sabe ele te solte do frouxo jeito que é.