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quinta-feira, 6 de junho de 2013

Nem falo direito

Pego esta folha, logo escrevo. O peso dos meus lábios me silenciavam. Tantos portantos e poréns que até me calo e abro mais meus olhos. O que não consigo falar cria forma e torna-se um pensar ambulante. Mas desconhecida, falaste tão bem do meu esforço que parece ser o certo e o bem feito de para a humanidade. Poderia-me deixar arrastar nos malditos prazeres em vão e condenar-me em uma prisão perpétua dentro de um lugar fechado qualquer, porém não permito-me. Deixo então a porta entre a aberta. Deixo o telefone tocar. Deixo as luzes da sala acesas e logo apago. A arma em minhas mãos, deveria acionar o gatilho? A única vítima tão inocente é a própria culpada do crime. Essas palavras perpetuam na mente. Tenho medo de perde-las enquanto não dou-lhes forma. Pego então um papel e anoto. As palavras não ditas, gritadas na alma, saem como resmungos da boca para fora. Tudo isso que nunca consegui dizer, eu grito para mim mesma o porquê da dificuldade de traduzi-las em sons, em palavras. Porque na verdade sacrifico palavras, porque tem horas que o silêncio delas dizem mais do que eu preciso falar. Mas aí me pergunto, quanto tempo durou essa semana de tantos dias e anos? O mesmo tempo que esperei as palavras formarem-se, o mesmo tempo que entendi que tem coisas que as palavras apenas não dizem e tomam forma de silêncio.

Nem falo direito.

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