E como se tu fosses meu diário, confesso-me: Sei o quanto
eles gostam dos segredos via lábios molhados ou ressecados, sei que gostam das
declarações de amor e de paz e o não a guerra, mais internas do que externas. Dizer; Falar; Nunca me foi nada perto das
palavras escritas. Não, não estou dando os motivos ou satisfações para falar
menos que a boca, ainda não, mas posso te dar-lhes: gosto do impacto que causa
nas pessoas o falar de quem pouco fala, a importância que dão para cada palavra
dita, o soar delas e o silêncio dos ouvintes educados e emprestadores de sua
atenção. Poderia comentar também o como acredito que essa característica seja
algo que não é estranho, mas sim, bem familiar. Entregaria uma folha em branco
aos meus pais, aos meus avós e aos meus tios, e não seria surpresa alguma que
surgiria dali grandes confissões fantasiadas de metáforas. Provas documentais
dizem que minha mãe já escrevia suas palavras tão universais quanto pessoais,
as quais não cabiam em seu corpo humano, mas cabiam nas folhas em branco. Tal
probabilidade de que herdei pelo menos alguma coisa de uma árvore genealógica
inteira, tal probabilidade faz dos testes de DNA uma tecnologia ultrapassada,
tal que poderíamos ter sido uma família rica em relações econômicas, apenas em
investimento do escrever. Poderia ter nascido no tal “berço de ouro” e ter
alguma herança há ganhar, mas essa chance já perdi. Herdei o que não deveria
ter herdado, nunca irei perder e nem se quer ou quis ter ganhado: não caber-me
em mim e muito menos, na minha voz, o que me resta é essa mania de escrever em
qualquer lugar, em qualquer folha de papel ou em qualquer lugar, diríamos que,
escrítivel.
segunda-feira, 25 de novembro de 2013
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
Estrago
O corpo flexionava-se como se tivesse sentindo um grande
prazer... Engano seus, mal sabem que não há linha tênue alguma entre o êxtase e
o desespero. Não chorava há muito tempo, mas sonhei com que esse dia chegasse:
o dia em que o mundo desaba-se sobre mim e eu pudesse chorar em paz e com
motivos um tanto pertinentes. A questão é só essa questão: estar só e só. Só
consigo e não contigo, um tanto só sozinha. Nunca desejei mal a aqueles que não
quiseram entender as leis do meu clube da solidão, aliás, quem sou para
entender tal assunto? Eu que era moralista e você aspirava tua tranquilidade
tóxica e cancerígena. Disse-me que a vida é triste, o humano é um erro... Eu
amo o humano, eu amava o errado, eu tentei te amar. Eu bem que dizia que
relacionamentos amorosos não dão em nada ao não ser que se resultam em uma
grande decepção. Você aspirava fúrias e decepções, então por que não me
aspirou? Você não sabe, mas eu fui tão frágil quanto a fumaça que saia da tua
boca: toca-me e poderei impregnar cada átomo de meu corpo no teu, mas se essa
não for a intenção, desapareço com um abanar de mãos, num estalo de dedos ou em
um piscar de olhos. Tive ciúmes das milhões de substâncias, mas não importa
quando isso vem de alguém “politicamente correto”, talvez até a minha forma de
se expressar seja assim, “politicamente correta”: sem expectativas, ilusões ou
palavras ocas sem fundamentos e nem sentimentos. Mas eu errei, fiz exatamente o
que não faria, tornei-o um amor irracional, fugaz e jovem. Eu culpei a minha
racionalidade uma vez, mas agora, nem me culpo mais. Eu gosto de decepções, pra
variar um pouco, seria estranho demais se tudo desse certo de primeira... Tudo
tem sua primeira vez, não?
Se fosse para estar diferente do que está, eu tragaria-te,
mas o pior é se tudo tomasse forma de droga.
domingo, 10 de novembro de 2013
Tinha um domingo no meio do caminho
Era domingo, de repente era domingo. Não sei o que aconteceu
comigo, mas simplesmente, já era domingo. A semana inteira esperei pela
sexta-feira e o sábado, acordei e adivinha? Já era domingo. Esqueci tudo que
iria fazer nesse fim de semana, esqueço dos outros dias da semana, e do nada,
assim, de repente, não mais que de repente, já era domingo. Uma coisa eu digo,
só posso confiar no domingo, pois ele me propõe um dia ocioso e é o que ele
sempre fez: ele cumpre com tal promessa. Às vezes até me surpreende, mas muitas
vezes acordo, me olho no espelho, com cara amassada e cabelo bagunçado, e
penso: “já é domingo.” Como uma vez já me disseram que ocorre um “milagre” da
noite pro dia enquanto dormimos, sim, é uma grande verdade, pois eu me esqueço
da semana passada e desconheço a semana que vem, aí eu acordo e olho para o
calendário: já era domingo.
Quase de Andrade,
Porém ela, Rafaela.
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
Muitos nós em laços e em cérebros
Faz algum bom tempo que reflito no rumo que a estrada toma, nas formas geométricas que as coisas levam e no traço o qual eu faço ou desfaço, como se fosse fácil, como se fosse desfazer um laço. Nada é tão fácil quanto se parece, nada é tão difícil, esse meio termo me detona. Desmorono-me em questões duvidosas. Mas eu queria o que? Que houvessem questões certas e cheias de certeza? E se tudo fosse tão óbvio quanto o que digo com arrogância? Complexidade de ser e estar. Complexa demais para entender-se. Usar o escudo blindado de orgulho já não faz meu tipo. Esse movimento retrógrado recessivo, só vejo em negativo. Ainda há esperança em desmanchar os nós horríveis neste laço, mas esperemos um pouco, quem sabe a garganta também não afrouxe e consiga pronunciar alguma resposta fenomenal, ou até qualquer coisa simples mas de importância única. Por enquanto, fica-se assim: por não saber porquê, não sabe-se explicar.
terça-feira, 29 de outubro de 2013
Com-paixão
Como uma reconstituição de um crime, a reconstituição de uma
cena, a reconstituição de um acontecimento que anda por aí permeando tempo e
espaço. É um crime para mim e talvez para o engraçado “nós” que não existe na
concretização, no ato, mas a potência, um tanto desgraçada, sempre reconstituiu
o “nós” em nossa mente. Dói saber que não há coragem e nem premonição do que é
real e verdadeiro. Pesaroso é dizer que tantos lábios que já provei e até
provaria, mas nada se compara aos teus braços acolhedores e que parecem ser até
provedores de dó e de perdão. Desconhecemos a angústia, o rancor e as
atrocidades do que há lá fora. Somos jovens tolos e imaturos, sem graça
(desgraçados) apaixonados... e sabe se lá por quem, e sabe se lá por quê.
terça-feira, 15 de outubro de 2013
Míopes
Você não sabe o quanto como imaginei este diálogo
mentalmente. Sim, diálogo. Invejo os humanistas, repreendo os egoístas, mas
quem sou eu na hora de me compor? Sou composta ou em decomposição? Pareço-me chorume
ou apenas uma letra humana a ser composta. Pode parecer-me lixo imundo ou
fertilizante de mundo, dois lado dessa terra. Essa canção que vem sendo tocada
que só aparenta ser ouvida e apreciada transforma um coração em pérola barroca
que quando palpita, machuca a carne e como se fosse uma doença maligna, petrifica
o estado da face, seja qual for, seja a que for, terá se transformado numa
pedra mesmo... Eu deliraria se me fosse dito que meu tempo é um inimigo, ele
não tem culpa da pedra que desconhece o relógio do humor e da sensibilidade.
Não culpo mais as artérias animais e nem as ramificações vegetais. Ninguém tem
culpa, nem mais desculpa. Mas as pedras... Mas os petrificados são seus olhos
que veem a falta de humanidade e aos que tem e se petrificam com medo de ferir
o pulsar sanguíneo... O oásis é logo ali, mas depende dos seus pontos de vistas:
pedra, papel ou tesoura.
terça-feira, 8 de outubro de 2013
Na moral
Namoro o tempo e concluo que até os moralistas estão sem moral na moral do contexto todo. Os animais que são instintivos não conhecem o "bom senso", os sapiens sapiens sabem, mas realmente os fazem?
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