Antes de um novo parágrafo, deveria existir outro e se não
outro, uma vontade de existir. Não conto o número de letras, parágrafos ou
folhas, dou-lhes um desconto. Tudo é tão estranho. O tempo passa, as pessoas passeiam,
os objetos continuam inertes se nada os rompes da inércia... Nada tão peculiar,
ao não ser eu que era mais objeto do que as pessoas. Sempre peculiar. Conheço a
lei natural das coisas que são visíveis: enquanto invisíveis, é uma mentira
dizer que já existiu ou há de existir. Uma essência não é nada sem uma forma e
uma forma não é nada sem uma essência. Já fui crente da geração espontânea, mas
seguindo essa linha de raciocínio, tudo se fracassaria por si só. Percebo que
assim como eu, a vontade possui sua inércia... Mas que preguiçosa ela. Ambas
precisamos de fonte de vida e continuar vivas. Onde eu encontro ou onde posso
procurar? O que fazer enquanto o tempo faminto devora-se cada vez mais depressa
e não encontrei o remédio para diminuir essa velocidade? Transformar matéria-morta
em matéria viva. Catalogar cada solução, mistura-las e transforma-las
novamente. Ah, eu e minha vontade, podemos ser uma solução, mas quem realmente
nós somos? Alquimistas de uma salvação.
segunda-feira, 28 de abril de 2014
domingo, 30 de março de 2014
Meteoro sentimental
Chorar junto das nuvens, elas não parecem mais serem de
algodão... Na verdade, agora, são cinzas. Elas me traduzem, sabem como o tempo está
nublado aqui dentro e choram junto de mim. Será compreensão ou apenas reflexão
do que minhas pupilas sentem? Elas se expressam muito melhor que o resto do meu
corpo... As pupilas ou as nuvens? Não faz diferença, é tão indiferente que se torna
una o que elas tem em comum: elas choram; De tristeza, alegria, raiva ou uma
emoção qualquer. Elas passarão e eu, passarinho. As emoções ou as nuvens?...
Diante disto tudo, acabo de me assumir sentimental-meteorologista.
quarta-feira, 5 de março de 2014
Quase oculto lado
Eu vejo faces mais escuras do que da Lua. Nesse céu
ofuscante, estrelas já não há... Apenas nuvens pesadas de gotas d’água. Não há
consolo que me faça acreditar que crateras não se comparam com catástrofes. Ah,
mas a noite é tão bela, por que tão masoquista escurecida? Ela quem tanto me
fazia rir dessa minha hipérbole e acreditar que há muito, até demais, dos
corações para serem explorados e que nunca se esgotaria tal fortuna. O que será
de mim fases, dias, séculos, eras com a sua escuridão eterna?
domingo, 2 de fevereiro de 2014
Nas horas vagas: plástico descartável
Cantando aos sussurros e aos ventos. Confiro
onde estou e este lugar cuja minha presença se faz dádiva não é minha casa... Mas
onde é minha casa? Cada vez mais acredito em um universo paralelo, e se pelo
menos um existir e se meu sonho, se o sonho desta pele, carne e osso for
atingir outro plano, é porque a vida humana então é uma merda. Simplesmente,
esqueço essa teoria, mas permaneço pensando derivadas de tal. Atingir outro
plano, um plano racional ou irracional, onde a resolução seja tão bem focada que
beiramos a perfeição. Pois, penso: essa mente, essa residência, essa calmaria e
euforia não são à toa. Em vão tento descomplicar as coisas todas do mundo.
Enquanto sacos de novos velhos pensamentos têm sido acatados, peso-me e penso.
Os cabelos esvoaçantes, o rock no rádio e o plástico que envolve o
"milk-shake" tem sido a minha distração momentânea. De curto momento,
mas necessária. Sinto-me fútil, de ambas as formas de se pensar, mas
necessária. Quantas vezes já não me comparei com descartáveis? Como resolver
essa charada chamada silêncio tão pensador quanto o próprio ato de tentar
pensar? Distinguir diferentes coisas não é fácil para ninguém, mas quando se
conhece o caminho para a fonte... Aí é outra história. Por enquanto, a história
continua a mesma. Mas, se erro, é porque sou de humanas. Humanos não se descartam assim tão facilmente.
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
Moça
Dos pretos, dos pretos e rosas. Do vestido rosa de
comprimento no meio da coxa, do gótico preto no olho e no cabelo. Sei fingir
neste mundo a tal confusão com tal forma inocente. A vontade de ser punk
esconde-se debaixo de um vestido, dentro do peito e da mente turbulenta. Não
saber quem é, torna-se nessa idade, normal. Quem já não teve crise existencial?
segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
Sendo efêmera, porque é a única coisa que não possui dualidade, apenas renovação:
Perdi a conta de quantas vezes eu já morri hoje, nem vale a
pena fazer um funeral para cada morte. Perdi a conta de quantos dias da semana
já foram fim do mundo. E ainda iremos morrer muitas vezes nos dias, nas semanas
e até nos anos. Ta aí, um grande problema de ser uma mortal. Uma mortal um
tanto sentimental. Uma mortal um pouco racional. Uma mortal, apenas, mortal.
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
Nem se meu nome fosse Lúcia, nasceria tão lúcida
Tentei fazer listas para organizar a minha vida, mas não
gosto de listas. Pensei em comprar uma agenda, até um caderno sem pauta
ajudaria, para poder organizar os dias e rodapés alheios. Clamei poemas e
cantei canções até perder o fôlego, para aprender as melhores rimas e metáforas
que usaria na necessidade. Escrevi onde havia espaço, onde não cabia mais, onde
as informações se embaralhavam e tornavam-se uma ideia louca qualquer, mas era
pelo menos uma ideia. A insanidade subiu-me a cabeça há tempos, agora tem estado tal
como palavras-cruzadas e quebra-cabeças: tudo só toma forma com o próximo
encaixe.
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