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domingo, 10 de novembro de 2013

Tinha um domingo no meio do caminho

Era domingo, de repente era domingo. Não sei o que aconteceu comigo, mas simplesmente, já era domingo. A semana inteira esperei pela sexta-feira e o sábado, acordei e adivinha? Já era domingo. Esqueci tudo que iria fazer nesse fim de semana, esqueço dos outros dias da semana, e do nada, assim, de repente, não mais que de repente, já era domingo. Uma coisa eu digo, só posso confiar no domingo, pois ele me propõe um dia ocioso e é o que ele sempre fez: ele cumpre com tal promessa. Às vezes até me surpreende, mas muitas vezes acordo, me olho no espelho, com cara amassada e cabelo bagunçado, e penso: “já é domingo.” Como uma vez já me disseram que ocorre um “milagre” da noite pro dia enquanto dormimos, sim, é uma grande verdade, pois eu me esqueço da semana passada e desconheço a semana que vem, aí eu acordo e olho para o calendário: já era domingo.

Quase de Andrade,
Porém ela, Rafaela.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Muitos nós em laços e em cérebros

Faz algum bom tempo que reflito no rumo que a estrada toma, nas formas geométricas que as coisas levam e no traço o qual eu faço ou desfaço, como se fosse fácil, como se fosse desfazer um laço. Nada é tão fácil quanto se parece, nada é tão difícil, esse meio termo me detona. Desmorono-me em questões duvidosas. Mas eu queria o que? Que houvessem questões certas e cheias de certeza? E se tudo fosse tão óbvio quanto o que digo com arrogância? Complexidade de ser e estar. Complexa demais para entender-se. Usar o escudo blindado de orgulho já não faz meu tipo. Esse movimento retrógrado recessivo, só vejo em negativo. Ainda há esperança em desmanchar os nós horríveis neste laço, mas esperemos um pouco, quem sabe a garganta também não afrouxe e consiga pronunciar alguma resposta fenomenal, ou até qualquer coisa simples mas de importância única. Por enquanto, fica-se assim: por não saber porquê, não sabe-se explicar.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Com-paixão

Como uma reconstituição de um crime, a reconstituição de uma cena, a reconstituição de um acontecimento que anda por aí permeando tempo e espaço. É um crime para mim e talvez para o engraçado “nós” que não existe na concretização, no ato, mas a potência, um tanto desgraçada, sempre reconstituiu o “nós” em nossa mente. Dói saber que não há coragem e nem premonição do que é real e verdadeiro. Pesaroso é dizer que tantos lábios que já provei e até provaria, mas nada se compara aos teus braços acolhedores e que parecem ser até provedores de dó e de perdão. Desconhecemos a angústia, o rancor e as atrocidades do que há lá fora. Somos jovens tolos e imaturos, sem graça (desgraçados) apaixonados... e sabe se lá por quem, e sabe se lá por quê.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Míopes

Você não sabe o quanto como imaginei este diálogo mentalmente. Sim, diálogo. Invejo os humanistas, repreendo os egoístas, mas quem sou eu na hora de me compor? Sou composta ou em decomposição? Pareço-me chorume ou apenas uma letra humana a ser composta. Pode parecer-me lixo imundo ou fertilizante de mundo, dois lado dessa terra. Essa canção que vem sendo tocada que só aparenta ser ouvida e apreciada transforma um coração em pérola barroca que quando palpita, machuca a carne e como se fosse uma doença maligna, petrifica o estado da face, seja qual for, seja a que for, terá se transformado numa pedra mesmo... Eu deliraria se me fosse dito que meu tempo é um inimigo, ele não tem culpa da pedra que desconhece o relógio do humor e da sensibilidade. Não culpo mais as artérias animais e nem as ramificações vegetais. Ninguém tem culpa, nem mais desculpa. Mas as pedras... Mas os petrificados são seus olhos que veem a falta de humanidade e aos que tem e se petrificam com medo de ferir o pulsar sanguíneo... O oásis é logo ali, mas depende dos seus pontos de vistas: pedra, papel ou tesoura.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Na moral

Namoro o tempo e concluo que até os moralistas estão sem moral na moral do contexto todo. Os animais que são instintivos não conhecem o "bom senso", os sapiens sapiens sabem, mas realmente os fazem?

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Exatas ferem minhas prosas

Descanso meus pés diante da massa do meu corpo. Não sei o que é maior, a massa ou o peso desses pés. Deixaria meus sapatos de lado se eu compreende-se  tudo na mesma facilidade que tenho para questionar. Vontade de guardar tudo, vontade de esquecer o mundo, dentro dessa pasta de papéis preta incolor que parece envolta de fibra de cobra, para combinar com a escola. Aquela que me fere durante os exames para avaliar se valho por um ou por dez ou por dez mil. Fere meu orgulho e os meus planos de vida. Não valho nada diante de nada ou de tudo. Não valho padrões estabelecidos numa escola de quem só tem cola e dormem na aula de filosofia e de história. Durmo nas aulas de etiquetas e sermões. Novamente, diferente, mas que diferença faz não ser aceita ou aceitável? Droga de química, de física, de cálculos exatos e inexatos. Exatidão não é comigo, prefiro humanização. Chega de ser um número.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Meras dúvidas ou questões, ou vice-versa

Sinto a friagem da minha pele e daquela noite chegando assim como a fotografia mostra. Nunca vi algo tão confortável como essa natureza de tal fotografia emoldurada na parede, me sinto como uma leoa a qual depara-se com a floresta selvagem. Minha mente faz deste quadro atoa no meu quarto, algo grande e salvador. Paredes vazias como estantes cheias e bagunçadas são piores. Quadros na parede dão ar de preenchimento, mesmo com estantes bagunçadas a qual torna-se sinal de mente criativa, um tanto desorganizada, esperando a grande resolução de tudo assim como das fotografias. O único quadro que tenho me completa, pouco me importa a cor da parede que possui a mesma cor do fundo dele, talvez torna-se uma continuidade desse nascer do Sol ou o pôr deste. O quadro o qual diminui esse espaço do vazio entre a janela aberta e a porta fechada. Cortinas de ferro e cadeados destrancados. Tal fotografia me faz sentir perdoável quando me culpo. Sem ela, sem essa fotografia, eu nada seria.