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quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Já é cedo, já é tarde demais

Tanto, mas tanto potencial e nenhum ato. Péssima bailarina, inerte dançarina. A canção te chama, e tu, danças? Péssima, péssima, horripilante. Uma vergonha. Diz-se exilada, não enxergo opressão alguma... qual é teu problema? Impossível relevar, o cume é um dos mais altos das montanhas. Estabelece relações infinitas com os efêmeros...elas tornam-se findas como ossos. Invente fábulas e poemas sociais para sustentar suas palavras anteriores e superar o que a ciência faz com tua pele. Oxidai as nada cândidas lembranças, oxigene as fotografias e não olhe mais para o espelho,o qual tem refletido esse teu crescimento que veio de lagos cheios d'água, belas mágoas.


domingo, 19 de outubro de 2014

Canário sem cor

Preso passarinho, é o que você está, numa gaiola envolta de carne e sangue fervente, conhecida também como corpo humano. Como foi parar aí, seu louco? Foi sequestrado ou livre-arbítrio? Louco pássaro, parece que cortaram suas asas, parece que você nem sequer piou quando o fizeram. Gritasse, falasse, gemesse...mas não disse. Canta, canta a liberdade que procura e espanta, espanta a melancolia... Por que não canta mais? Prefere viver em cativeiro? Pássaro, você é louco, mas astuto, sabe que a carne não aguenta tanto. A carne é podre, o coração já não sei dizer. Bica ele, quem sabe ele te solte do frouxo jeito que é.

sábado, 27 de setembro de 2014

Norte ou Sul?

Os dias passam. O tempo não para. O tempo flui. Nada mais explícito que isso, de resto abstrato. Eu não entendo o que quer , o que me tem a dizer... Sabe, nem cursei teatro ainda e já me enxergo como uma bela atriz desse drama do in-sucesso mundo particular. Tudo é uma farsa, o não querer, o não sentir, o não saber, o não conhecer, o não é simplesmente uma mentira. O chorar que sempre fez parte da encenação foi verdadeiro, mas provisório. Em momentos de total descrença, a quase rendição de entregar-me aos ideais que não eram meus, consequentemente, minhas ideias todas se esquivaram para outro plano: para o fundo do oceano. Fui à busca delas, nas profundezas. Fui à busca dos meus princípios, os quais afundaram como barcos há muito tempo, pois da superfície, nada se criava ou transformava, tudo se perdia. Assim, muitas circunstâncias claras, tornaram-se escuras. Se tivéssemos lampiões ou lanternas, tudo seria mais fácil de esclarecer.

sábado, 6 de setembro de 2014

Amargo e aguado

Mudaste algumas certezas para não me magoar, não tem porquê...Para ajudar meu analista...Desculpo-lhe. Mas se eu quiser te amar, ainda? Sei que não vai estar, hoje não vai dar. E por favor, não me indique ninguém, pois não aguento mais me machucar. Não quer que eu vá embora, quer que eu tome mais uma xícara de café? Mas teu café possui um bom gosto assim como tu és, mas frio. Mais frio. Deixei esfria-lo porque estávamos conversando. Por que tão frio teu café? Mas se eu quiser, esquentaria para mim? Sei, você não vai estar. Mudei minhas certezas também e meu analista, bem...sente outro aroma por aqui. Adeus, hoje não dá mais para mim, não aguento mais um gole frio do teu café que passou a possuir mais água do que próprio pó. Guardava metade para outra xícara. Talvez a outra não esfrie quanto a minha, talvez irá incendiar o corpo de quem tomar...Que bom. 




segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Cardume quase humano

Faz algum tempo que não me peço nada de escrever. Meu momento sugere calmaria, pede por silêncio. Se eu fosse um peixe teria total razão, fazer nada seria a minha função... É uma pena não ser um peixe, mas não sinto que seja uma pena ser humana. Ter pernas, braços e nenhuma pena disto. Ser vertebrada sem escamas e fazer qualquer coisa, menos apenas nadar. Espero que eu saiba conciliar caminhar com o silêncio que existe somente no fundo do mar.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Borboleta

Mística organização universal e sua incalculável imensidade, no planeta onde habito já se passaram 365 dias de um ano atrás. Parece engraçado, não? Eu também acho. Mas, além disso, um real passar de tempo, um crescimento, contudo não apenas das sementes ou das lagartas ou das mentes, mas do bonito e intocável: a metamorfose em si. E quanto mais mutante ser, mais belo do que já foi. Refiro-me as pétalas que caem para formarem outras, do casulo e da adrenalina que ocorre no cérebro... Digo sobre o meio melodramático de que não se tem certeza do após e a única certeza é o passado (mas este, já está bem passado). Ah, esse meio da história, podemos enxergar um período de seca exterminável para todos, água para os realistas e para os mais criativos, néctar. Porque a única certeza da qual tenho tido não é nem mais sobre morte e sim, sobre as metamorfoses, muitas metamorfoses, muitas mudas para os insetos e revoluções para os humanos.

sábado, 14 de junho de 2014

Ode ao anônimo, mas que bem conheço

O que são os anos perto da morte? O que é a morte perto dos anos? Meus pêsames não pesavam nada perto de uma construção... E de repente, tudo que se foi construído já não passa de uma camada feita de madeira, outra de concreto e outra repleta de flores. Este é um coma, bem mais que alcoólico. Os olhos fundidos, torrados. O coração grande e lesionado, e os lábios cerrados... Mas que brincadeira de mau gosto é essa? A metáfora tornou-se literal.