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sábado, 14 de junho de 2014

Ode ao anônimo, mas que bem conheço

O que são os anos perto da morte? O que é a morte perto dos anos? Meus pêsames não pesavam nada perto de uma construção... E de repente, tudo que se foi construído já não passa de uma camada feita de madeira, outra de concreto e outra repleta de flores. Este é um coma, bem mais que alcoólico. Os olhos fundidos, torrados. O coração grande e lesionado, e os lábios cerrados... Mas que brincadeira de mau gosto é essa? A metáfora tornou-se literal.


sábado, 31 de maio de 2014

O mundo é uma laranja... E eu não sei descascar

Tudo é tão irregular quanto às dobras do meu jeans. A crosta grossa mais que a terrestre, a atmosfera que se tornou um ar viciado, a superproteção nada heroica e entre outras mil características da qual acrescentaria para o medo de errar que temo. Temo falhar com o que me proponho, pressuponho, ou com que precipito. E ainda saber que minha visão de mundo é pequena, e ainda saber que tem um mundo lá fora me esperando para realmente conhecer o que é mundo... Mundo é tudo aquilo que me faz sentir que tenho muito ainda a conhecer diante dessa imagem que tenho do meu pequeno e grande mundo. Esse meu mundo onde apenas enxergo minhas próprias duas mãos e esse sentimento de mundo. 
A nós, cavalheiros errantes, tanto quanto andantes, gostaria de brindar Dom Quixote de La Mancha, nossa forma mais que metaforizada, que tinha razão desde os primórdios: o mundo é gigante e é um moinho também, mas nem por isso deixaria de cavalgar.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Olhos nus não enxergam moléculas de novas perspectivas

Antes de um novo parágrafo, deveria existir outro e se não outro, uma vontade de existir. Não conto o número de letras, parágrafos ou folhas, dou-lhes um desconto. Tudo é tão estranho. O tempo passa, as pessoas passeiam, os objetos continuam inertes se nada os rompes da inércia... Nada tão peculiar, ao não ser eu que era mais objeto do que as pessoas. Sempre peculiar. Conheço a lei natural das coisas que são visíveis: enquanto invisíveis, é uma mentira dizer que já existiu ou há de existir. Uma essência não é nada sem uma forma e uma forma não é nada sem uma essência. Já fui crente da geração espontânea, mas seguindo essa linha de raciocínio, tudo se fracassaria por si só. Percebo que assim como eu, a vontade possui sua inércia... Mas que preguiçosa ela. Ambas precisamos de fonte de vida e continuar vivas. Onde eu encontro ou onde posso procurar? O que fazer enquanto o tempo faminto devora-se cada vez mais depressa e não encontrei o remédio para diminuir essa velocidade? Transformar matéria-morta em matéria viva. Catalogar cada solução, mistura-las e transforma-las novamente. Ah, eu e minha vontade, podemos ser uma solução, mas quem realmente nós somos? Alquimistas de uma salvação.

domingo, 30 de março de 2014

Meteoro sentimental

Chorar junto das nuvens, elas não parecem mais serem de algodão... Na verdade, agora, são cinzas. Elas me traduzem, sabem como o tempo está nublado aqui dentro e choram junto de mim. Será compreensão ou apenas reflexão do que minhas pupilas sentem? Elas se expressam muito melhor que o resto do meu corpo... As pupilas ou as nuvens? Não faz diferença, é tão indiferente que se torna una o que elas tem em comum: elas choram; De tristeza, alegria, raiva ou uma emoção qualquer. Elas passarão e eu, passarinho. As emoções ou as nuvens?... Diante disto tudo, acabo de me assumir sentimental-meteorologista.




quarta-feira, 5 de março de 2014

Quase oculto lado

Eu vejo faces mais escuras do que da Lua. Nesse céu ofuscante, estrelas já não há... Apenas nuvens pesadas de gotas d’água. Não há consolo que me faça acreditar que crateras não se comparam com catástrofes. Ah, mas a noite é tão bela, por que tão masoquista escurecida? Ela quem tanto me fazia rir dessa minha hipérbole e acreditar que há muito, até demais, dos corações para serem explorados e que nunca se esgotaria tal fortuna. O que será de mim fases, dias, séculos, eras com a sua escuridão eterna?

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Nas horas vagas: plástico descartável

Cantando aos sussurros e aos ventos. Confiro onde estou e este lugar cuja minha presença se faz dádiva não é minha casa... Mas onde é minha casa? Cada vez mais acredito em um universo paralelo, e se pelo menos um existir e se meu sonho, se o sonho desta pele, carne e osso for atingir outro plano, é porque a vida humana então é uma merda. Simplesmente, esqueço essa teoria, mas permaneço pensando derivadas de tal. Atingir outro plano, um plano racional ou irracional, onde a resolução seja tão bem focada que beiramos a perfeição. Pois, penso: essa mente, essa residência, essa calmaria e euforia não são à toa. Em vão tento descomplicar as coisas todas do mundo. Enquanto sacos de novos velhos pensamentos têm sido acatados, peso-me e penso. Os cabelos esvoaçantes, o rock no rádio e o plástico que envolve o "milk-shake" tem sido a minha distração momentânea. De curto momento, mas necessária. Sinto-me fútil, de ambas as formas de se pensar, mas necessária. Quantas vezes já não me comparei com descartáveis? Como resolver essa charada chamada silêncio tão pensador quanto o próprio ato de tentar pensar? Distinguir diferentes coisas não é fácil para ninguém, mas quando se conhece o caminho para a fonte... Aí é outra história. Por enquanto, a história continua a mesma. Mas, se erro, é porque sou de humanas. Humanos não se descartam assim tão facilmente.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Moça

Dos pretos, dos pretos e rosas. Do vestido rosa de comprimento no meio da coxa, do gótico preto no olho e no cabelo. Sei fingir neste mundo a tal confusão com tal forma inocente. A vontade de ser punk esconde-se debaixo de um vestido, dentro do peito e da mente turbulenta. Não saber quem é, torna-se nessa idade, normal. Quem já não teve crise existencial?